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    Mulheres no backstage

    Provando que lugar de mulher é onde ela quiser.

    Durante a revolução industrial, as mulheres começaram a entrar para o mercado de trabalho. Aceitando salários inferiores aos homens e trabalhando nas fábricas em jornadas de 14 a 16 horas por dia, elas eram preferidas pelos empregadores. Com as guerras mundiais, conforme os homens iam para os campos de batalha, as mulheres passavam a assumir os negócios da família e a posição dos homens no mercado de trabalho. Porém muitas profissões seguiram tendo uma predominância masculina; ainda são raras as motoristas, as pilotos de avião, e particularmente as ciências exatas ainda tendem a ser vistas como ‘profissões de homem’.

    As mulheres buscam se educar: de acordo com o Censo do Ensino Superior de 2010, produzido pelo ministério da Educação, elas ocupam 57% das matrículas. O mesmo acontece na conclusão dos estudos, 60% das pessoas que chegam até o final dos cursos universitários são mulheres. É natural que mesmo com o machismo ainda vigente na maior parte da sociedade, essa maior busca por qualificação resulte em cargos de chefia e no destaque profissional de cada vez mais mulheres.

    No show business não é diferente. Apesar de as mulheres no áudio serem cerca de 5% do total de profissionais, de acordo com a maioria das estimativas, muitas vêm se destacando nos PAs, monitores e palcos do Brasil e mundo afora. Estando incluída nessa minoria, criei em 2012 o grupo “Female Pro Audio BR” no facebook, o qual evoluiu para um grupo de estudos e através do qual tive a felicidade de conhecer muitas outras profissionais admiráveis e de participar de workshops e encontros organizados por membros do grupo. Fiz algumas perguntas a duas colegas: Adriana Viana, técnica de monitor do Teatro Mágico e responsável técnica  das bandas Baleia Mutante, Yassir Chediak  e Almirante Nelson; e Erika Nascimento, operadora de áudio especializada em monitor e auxiliar técnica de palco, cuidando de patch, gaveteiro, xlr, ac e backline.

    Acredito que tivemos histórias parecidas em alguns aspectos. Comigo, a vivência musical e a experiência de gravar com minha banda, vendo como era o processo de gravação em estúdio, levaram ao interesse pela área. Erika conta que seu início se deu no Kazebre Rock Bar, como auxiliar técnica, por indicação de um amigo. Já Adriana diz, sobre seu início no áudio: “Comecei trabalhando em uma empresa locadora de som como almoxarife, enquanto  isso fui conhecendo os equipamentos  e cada vez mais tinha vontade de aprender e trabalhar como técnica de áudio em shows.”

    Até aí, esse é o início da maioria dos rapazes também. Mas a questão de gênero se torna às vezes desafiadora. Uma das principais queixas ainda são os donos de empresas que, declaradamente ou de forma velada, não contratam mulheres. Entre as principais justificativas para isso, estão a necessidade de força física pra carregar e descarregar carretas, montar e desmontar os equipamentos. O que, dependendo da função que exerce, o profissional não deveria ter que fazer. Felizmente, esse tipo de atitude tem se tornado cada vez mais rara. Como Erika conta: “Esse ano me aconteceu algo interessante num festival em que fiz parte da equipe técnica. Há alguns anos atrás um amigo me indicou para a mesma empresa com a qual fiz esse festival, e a resposta do responsável técnico foi um “não, mulher não” categórico (risos)… enfim, anos se passaram e fiz este festival com ele, que em contrapartida, adorou meu trabalho e me quer na equipe ano que vem”.

    Há também a questão do assédio por parte dos colegas e/ou do público do evento, que muitas vezes é constrangedor. Adriana menciona: “Na estrada já me deparei com algumas situações machistas como cases com calcinhas e sutiãs pendurados e também já ouvi comentário maldoso”. Existe também a descrença na capacidade de que as meninas teriam de realizar um bom trabalho. Frases como “é você que vai fazer o som?”; “como uma mulher pode entender de tecnologia?” e desafios verbais e não verbais partindo dos colegas ainda são constantes. “Em alguns casos já recebi aquele olhar desafiador do tipo ‘vamos ver o que ela sabe fazer’ e após o trabalho realizado eles engoliram o orgulho e vieram até elogiar.”, diz Adriana. Eu mesma criei o grupo das mulheres do áudio após ouvir dezenas de vezes “você é técnica? Sério? Nunca vi uma. Achei que fosse uma das ‘meninas do stand’.”, quando trabalhei como Especialista de Produtos Genelec na AES Brasil.

    Mas para se afirmar, essas profissionais não medem esforços e dedicação. Adriana e Erika compartilham minha opinião, de que estamos cada dia mais crescendo no mercado e conquistando aceitação e respeito por parte dos colegas. Através do grupo, no facebook e fora dele, podemos conhecer umas às outras, compartilhar conhecimentos e nos apoiar. Adriana acredita que somos mais sensíveis e temos mais tato para lidar com os músicos, além de termos mais cuidado com a organização, fatores que podem vir a ser um diferencial. E todas são unânimes em afirmar que com conhecimento, competência e profissionalismos, independentemente do sexo, você encontrará seu espaço no mercado.

    Se quiser conhecer mais sobre quem são estas mulheres, acesse a página https://www.facebook.com/MulheresDoAudio.

    QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

    Luana Moreno

    Mulheres do Áudio

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